Como fazer o inventário das obras da sua casa: fotos, ficha e valores
O inventário caseiro de obras é uma lista com uma linha por obra: fotos (frente, verso, assinatura e detalhe), ficha técnica (título, autor, ano, técnica, dimensões), onde a peça está na casa e o valor de compra com o documento que o comprova. Uma planilha simples basta, desde que tenha cópia fora de casa.
Para que serve o inventário caseiro
Um inventário doméstico de obras é a versão enxuta da ficha de registro que acervos organizados usam: um registro que diz o que você tem, como está e onde está. Ele responde, em minutos, perguntas que costumam aparecer em momentos ruins: um sinistro, uma mudança, uma reforma, uma divisão entre herdeiros.
A utilidade mais concreta é o seguro. Segundo o corretor Ricardo Minc, citado em reportagem da Revista Apólice, a catalogação para fins de seguro é "um registro de informações básicas com fotos", com técnica, ano, tipo de moldura, dimensão, autor e estado atual da peça, e, para obter condições melhores, é preciso elaborar a relação de peças "com descrição e valor individual" [1]. Ou seja: o inventário que você faz por conta própria já é a metade do trabalho que a seguradora vai pedir.
Este guia trata do uso doméstico e do seguro. Para o registro de uma coleção que passa entre gerações, veja como catalogar o acervo de arte de uma família.
A ficha de cada obra: o que anotar
Uma ficha de obra cabe em uma linha de planilha. Os campos que fazem diferença, na prática:
- Código da obra: um número ou nome curto, o mesmo que aparece na etiqueta da foto. Se a obra tem Archive ID no certificado, use-o.
- Título, autor e ano.
- Técnica e dimensões, como constam no certificado ou na nota. Em obras do Perfeito Studio, esses dados vêm na página da obra e no Certificado de Autenticidade, e as dimensões são listadas como largura por altura.
- Moldura: tipo e se é original da obra ou acrescentada depois.
- Localização na casa: cômodo e parede. Muda quando você reorganiza os ambientes, então vale atualizar.
- Estado atual: uma frase sobre o que você viu, com a data da observação (a classificação detalhada de estado está no guia de catalogação da família).
- Aquisição: data, onde comprou, valor pago e o documento que comprova (nota fiscal, recibo, termo).
A artworkcodex, que trata de documentação de obras para seguro, descreve um registro útil como o que começa por título, artista, ano, técnica, dimensões e localização atual, e se atualiza quando a obra muda de lugar, é vendida ou volta de algum lugar [2].
Fotos: o conjunto mínimo por obra
A foto de frente é o mínimo; o registro fica bem mais útil com mais ângulos. Segundo a Artwork Codex, registros melhores costumam incluir, além da frente, fotos do verso, da assinatura, de detalhes de moldura e da superfície, mais notas sobre o estado da peça [2]. Um conjunto prático por obra:
- Frente inteira, com a câmera paralela à tela.
- Verso inteiro, incluindo qualquer etiqueta ou inscrição.
- Assinatura de perto.
- Um detalhe da textura ou da pincelada.
- Qualquer marca, mancha ou dano, de perto, se houver.
- A obra no ambiente, para registrar onde fica.
Nomeie os arquivos com o código da obra e a data (por exemplo, o Archive ID seguido do ano e do mês). Para luz, ângulo e reflexo, o passo a passo está em como fotografar as obras da sua coleção.
Valores: o que registrar e o que fica de fora
A coluna de valores é a que mais gera dúvida, e a mais simples de organizar se você separar três coisas:
- Valor pago: o que consta na nota fiscal ou no recibo. É dado documentado, não estimativa. Anote a data e guarde o comprovante.
- Valor declarado para seguro: o número que você e a seguradora combinam. Em geral, é a seguradora ou a corretora que define o critério e pede a comprovação; confirme com a sua, então esta coluna deve ser preenchida depois dessa conversa, não antes.
- Data da última revisão: ao lado de cada valor, para saber quão atual ele é.
Este guia não propõe um método de avaliação nem faixas de preço, e um inventário não é promessa de que uma obra vai valer mais ou menos no futuro. O que o registro faz é guardar o que foi pago e o que foi combinado, com a data. Para entender como a cobertura funciona, veja seguro de obra de arte no Brasil e se o seguro residencial cobre uma obra de arte.
Onde guardar o arquivo e quando revisar
O inventário precisa sobreviver ao mesmo evento que ameaça as obras. Por isso, a regra é nunca deixar a única cópia na própria casa: planilha e fotos em um serviço de nuvem, e, se possível, uma segunda cópia em outro suporte. Os documentos de cada obra, como certificado e nota, ficam em pasta física separada, identificada pelo mesmo código, como detalha o guia sobre onde guardar o certificado e os documentos de uma obra de arte.
Quanto à revisão, os momentos naturais são: obra nova, mudança de endereço, reforma, empréstimo da peça e renovação do seguro. Em cada um, atualize localização, estado e, se for o caso, o valor declarado, e registre a data da revisão.
O olhar do ateliê
O que o ateliê entrega para facilitar o seu registro
Cada obra original do Perfeito Studio sai com Certificado de Autenticidade assinado pela artista, com título, série, ano, técnica, dimensões, imagem da obra, Archive ID e um QR code que leva à página oficial da obra. Esses são os campos que a sua ficha vai pedir, já impressos em um documento só.
Sou arquiteta de formação. Para o registro, vale incluir a foto da obra no ambiente e a anotação do cômodo. Golden Passage (2025, 60 × 80 cm, série Black & Gold), por exemplo, tem a ficha técnica completa na própria página, e o Archive ID AP-BNG-2025-001 pode ser o código da linha na sua planilha.
Perguntas frequentes
O que anotar na ficha de cada obra?
O essencial é um código da obra, título, autor, ano, técnica, dimensões, moldura, localização na casa, estado atual com data e os dados da aquisição: data, valor pago e documento que comprova. Se a obra tem certificado com Archive ID, use esse código para ligar a ficha, as fotos e a pasta de documentos.
Como fotografar a obra para registro?
Fotografe a frente inteira com a câmera paralela à tela, o verso com etiquetas ou inscrições, a assinatura, um detalhe da superfície e qualquer dano, além da obra no ambiente. Nomeie cada arquivo com o código da obra e a data. O guia sobre como fotografar a coleção explica luz e reflexo em detalhe.
Para que serve o inventário caseiro?
Serve para saber o que você tem, em que estado e onde está. Na prática, ele ajuda na contratação e na renovação do seguro, que costuma pedir a relação de peças com descrição e valor individual, e também em mudanças, reformas e na organização da documentação para a família.
Onde guardar o arquivo?
Em mais de um lugar, e nunca só na casa onde as obras estão. Planilha e fotos ficam na nuvem, com uma segunda cópia em outro suporte. Os documentos físicos, como certificado e nota fiscal, ficam em uma pasta separada da obra, identificada pelo mesmo código usado na planilha.
Como atualizar valores de seguro?
Converse com a seguradora ou a corretora, que em geral define o critério e a comprovação aceita, e registre na planilha o valor combinado com a data. Anote também o valor pago, que consta na nota fiscal, em coluna separada. Revise a cada renovação da apólice ou quando algo mudar na obra ou na casa.
Quer a ficha técnica de uma obra para o seu registro?
Escreva para o ateliê pelo WhatsApp: enviamos título, técnica, dimensões e Archive ID da obra que interessa.
Leia também
- Golden Passage, série Black & Gold
- Seguro de obra de arte no Brasil: como funciona
- Certificado de Autenticidade do Perfeito Studio
- Onde guardar o certificado e os documentos de uma obra de arte
- Como fotografar as obras da sua coleção
- como catalogar o acervo de arte de uma família
- se o seguro residencial cobre uma obra de arte
Fontes
- Revista Apólice — 2026-10-14
- Artwork Codex — 2026-10-14
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